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Indígenas venezuelanos celebram Dia Mundial do Refugiado, em Belém

Enviado por nicole.franca em Ter, 20/06/2023 - 09:23

Governo do Pará participou da iniciativa, representado pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), nesta terça-feira (20)

 

Indígenas venezuelanos celebram Dia Mundial do Refugiado, em Belém
Foto: Lorena Esteves / ASCOM SEPI

 

Todos os anos, em 20 de junho, se celebra o Dia Mundial do Refugiado, data criada pelas Nações Unidas para homenagear as pessoas refugiadas em todo o mundo. O tema deste ano é “Esperança longe de casa: por um mundo inclusivo com as pessoas refugiadas”. Em Belém, a programação ocorreu, no Horto Municipal, e contou com representantes da prefeitura e do governo do Pará, junto com indígenas venezuelanos da etnia Warao.

 

O evento foi organizado pelo Comitê Municipal para Refugiados, Migrantes e Apátridas, em cooperação com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). De acordo com a Acnur, o estado do Pará acolhe cerca de 1.300 indígenas de diferentes etnias, sobretudo, da etnia Warao, que precisaram reconstruir suas vidas em função de um deslocamento forçado por conta de conflitos e outras situações de vulnerabilidade.

 

Para Janaína Galvão, chefe do escritório da Acnur Belém, o estado do Pará tem um destaque na proteção das pessoas refugiadas indígenas porque tem um quantitativo importante desta população, não só na Região Metropolitana de Belém, mas em todo o estado. “O nosso trabalho tem sido feito junto ao governo local e ao governo do estado para fortalecer as capacidades técnicas e de infraestrutura para fazer um acolhimento qualificado a essa população”, ressalta.

 

Jhonny Rivas, indígena do Conselho Warao Ojiduna, veio com quatro integrantes da família em deslocamento da Venezuela. Para ele, vir para o estado do Pará representa um recomeço. “A gente tá aprendendo que somos refugiados e que outra pessoa não pode falar por nós. Estamos na luta para mostrar nossa cultura, nossa dança, para que os parentes brasileiros conheçam nossa história”, explica.

 

Indígenas venezuelanos celebram Dia Mundial do Refugiado, em Belém
Foto: Lorena Esteves / ASCOM SEPI

 

O governo do Pará foi representado pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi). A secretária Puyr Tembé destacou a importância dos povos indígenas para a vida do planeta e enfatizou a criação de políticas públicas com e em defesa dos povos indígenas. 

 

“Quero colocar a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas à disposição do povo Warao para estar e construir com vocês algo melhor para a nossa nação. Sejam bem-vindos e se sintam bem acolhidos no estado do Pará, na Amazônia, no Brasil. Aqui, na Venezuela, na Colômbia ou no Peru, somos todos povos indígenas, temos direitos, deveres e queremos justiça! O Brasil é terra indígena!”, destaca.

 

Programação - Ainda em celebração a data, ocorre entre os dias 23 a 25 de junho (próximos sábado e domingo) uma Feira de Arte e Artesanato Warao de comunidades refugiadas e migrantes, no Horto Municipal, das 8h às 12h.

 

Dados de refugiados no Mundo - Segundo o relatório anual da ACNUR, Tendências Globais sobre Deslocamento Forçado 2022, até o final de 2022, o número de pessoas deslocadas por guerra, perseguição, violência e violações de direitos humanos atingiu o recorde de 108,4 milhões, um aumento de 19,1 milhões em relação ao ano anterior e o maior aumento já registrado. Em 2023, há um aumento nessa trajetória do deslocamento forçado global com a eclosão do conflito no Sudão, que desencadeou novos fluxos de saída, elevando o total global para uma estimativa de 110 milhões até maio deste ano.

 

Texto Lorena Esteves 

ASCOM SEPI